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Apesar do maremoto, quietude. Lá fora trovejam transformações, aqui dentro, uma silenciosa certeza. Minha voz. Uma voz sutil, carregada de cicatrizes. Uma voz que há muito não ouvia. Uma voz nua de convenções, de medos, de frivolidades. Grave, rouca, visceral. A voz que valsa com meu coração, percorre o esqueleto, retumbando ossos. A voz de…
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Uma nova página, tanto branco. Viver a delícia e o frio na barriga das estreias. Dentro, antecipação. Fora, listas e listas a cumprir.. Ancoro-me no lastro do caminho percorrido. Conto com cada página virada para aguentar os solavancos. Uso de todo o conhecimento, magia e experiência. Respiro fundo, tempero paciência com ousadia, sou econômica no desnecessário. O…
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O peito palpita inquieto. Será? Quando? Como? Respiro. Suspiro. Não saber. Estar na escuridão e lançar-se num passo. E outro. Enfrentar receios e vazios. Saltar no espaço, sem ser bailarina. Aprender a ser bailarina, meio no improviso. Na falta de uma vela, fazer o coração luminoso e nele guiar-se. Não hesitar, face ao Mar Vermelho. Salgar-se de esperança.…
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Para começar, era azul. Azul de um jeito que faz a gente se sentir anjo. Tinha trabalho suficiente para agradar Capricórnio. E não em demasia, para Viver Mais Simples. Foi possível ajudar pessoas, honrar valores, ser feliz. Sobrou tempo para o jantar com a família, para conversas profundas, uma de cada vez. Falamos de Deus,…
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“Hoje seguro uma tímida esperança nas mãos e a aconchego no peito. Um passo de cada vez, vamos adiante.” Tenho embalado sonhos. Evitando nomear de crise estes tempos de revisão do antigo, em tantas frentes da minha vida e do meu país. Ficando com meu medo, bem junto. E o medo tem sido grande,…
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Rua Lisboa, 151/51. Endereço-marco no meu destino. Porto seguro em Sampinha. Berço dos meus filhos. Cenário de transmutação. Os tacões da sala de estar, praticamente únicos sobreviventes dos tempos antes da ampla reforma. Aquele lar que desenhei azulejo por azulejo. O umbigo do meu filho enterrado no canteiro do jardim. Os passeios na praça Benedito…
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A mulher selvagem emerge. Nos sucos e seivas que renascem dentro. Na música que irrompe em voz e desejos. Nos pés que preferem estar descalços. Na vontade de contar histórias, de enfeitar-se, descobrir segredos profundos. A mulher selvagem desperta. Ouvindo os sinais da alma. Prestando atenção na lua, no vento, na chuva. Paciente na espera. Destemida…
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Caminho por entre o tapete de folhas ainda verdes caídas no chão. O vento foi forte e súbito. É um pouco assustador perceber o tanto de vida ainda presente nos galhos e palmas espraiados pela rua. Mas o frescor do ar. Ah, o frescor do ar convida a coragem de atravessar estes amontoados do que…
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A palavra é o chão do Viver Mais Simples. A palavra que escrevo e, sobretudo, a palavra que me ensina. Ando leitora preguiçosa, o que muito lamento. Mas dia destes fui presenteada com um encontro de contação de histórias, orquestrado por minha mestra Zeneide e minha sócia-irmã, Érica. Um par de horas para degustar histórias…
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Quando saí da casa de meu pai, minha avó Regina me presenteou com uma caixinha de costura. Uma latinha vermelha de biscoito, repleta de itens úteis para uma futura Penélope. Com o tempo, a capricorniana se desfez da caixa, entre arrumações. Mas ficaram um dedal, uma almofadinha de alfinetes. Provavelmente algo mais… Os anos passaram…









