Os dedos buscam escrever. O coração acordou mais manso e mesmo assim, triste. O oráculo diário sussurra: devagar e doce. Recordo sobressaltada que ontem foi quatro meses de sua partida. Meio sem querer, esbarro na música do Bowie que fala da vida cotidiana mas se chama Life on Mars. Descobri por acaso também. E Bowie…
Pela fresta da janela, palavras aguardavam pacientemente para emergir. Entre tanta mudança, um dia haveria pausa. Os dias viram meses que viram anos, e elas ali, pulsando serenas. Um dia… Sabiam. Hoje acordei na casa nova, depois de uma semana-avalanche com obra, trabalho, filhos, limpeza, mudança. Tudo misturado. O céu está azul, quase tudo está…
2008: meu percurso era linear, incluía 15 anos como executiva, MBA, promoções, chefes, carteira de trabalho e crachá. Já tinha meus dois filhos, perdi minha última avó. Fiz um processo de coaching pela primeira vez. O emprego deixou de ser satisfatório. Finalmente, a vida executiva tornou-se pesada demais para eu prosseguir. 2009: Eu queria viver…
Mais uma vez. Irrompe de mim algo novo. A vida que se reinventa. Eu, múltiplas metamorfoses. Fênix-Borboleta. Uma nova borda. Novos desafios. O pulso dentro escoiceando rotinas. Testar os limites. Até onde ir. Até onde não ir. O coração, mais forte. As asas, mais abertas. No entanto, há ainda muita pele velha me apertando. E…