Pela fresta da janela, palavras aguardavam pacientemente para emergir. Entre tanta mudança, um dia haveria pausa. Os dias viram meses que viram anos, e elas ali, pulsando serenas. Um dia… Sabiam. Hoje acordei na casa nova, depois de uma semana-avalanche com obra, trabalho, filhos, limpeza, mudança. Tudo misturado. O céu está azul, quase tudo está…
2008: meu percurso era linear, incluía 15 anos como executiva, MBA, promoções, chefes, carteira de trabalho e crachá. Já tinha meus dois filhos, perdi minha última avó. Fiz um processo de coaching pela primeira vez. O emprego deixou de ser satisfatório. Finalmente, a vida executiva tornou-se pesada demais para eu prosseguir. 2009: Eu queria viver…
Para Silvia Chalub Meus sapatos pela rua Descuidada Pés sensíveis Aí, encontrei meu príncipe Era meu coração Agora, a vida é meu baile
Força Avançar Sem cair E se cair Levantar Persistir Lutar Expandir Mostrar as garras e os dentes Doçura Nutrir-me Cuidar-me Amar-me Receber o tanto que mereço Crescer o espaço do desfrute Do bom Do mel Do manso Coração valente, mas suave Desbravar sem me ferir
Estive pássaro Nutri-me no prazer de voar. Na euforia do vento que varre o corpo Durante o voo Voei alto, longe. Vislumbrei. Horizontes distantes. Admirei montanhas. Mal sabia o tanto de escalada à espera Chuva forte, asas molhadas. Fortalecida, criei novas pernas. Mais músculo para sustentar. Mais força para acreditar. Fé no porvir. Estive pássaro.…
A doçura. Do despertar barulhento dos filhos. Da maciez da colcha nova. Do quente no chuveiro forte. Do vento súbito no rosto, na caminhada. Do café, o pão de mel, o arroz mexido com ovos. Do amor recebido e partilhado. Do cuidado dos amigos. De testemunhar o florescer do outro. O azedo. De lidar com tantas novidades. Dos dias cansados. Dos…
Fechar. O que não serve mais. O que acabou. O que foi bom, mas já passou. Aquilo por que sou grata e terminou. Quem fui, mas não sou mais. Quem não quero mais ser. Abrir. Novos horizontes. A porta da casa nova. O olhar. O coração. O aprender. O reaprender. O perdoar. As asas.
Breve, muito breve, estarei de casa nova. Vida nova. O oceano de plástico-bolha denuncia o movimento. Ao embalar cada objeto, repasso páginas e páginas de minha história. Tanto caminhado. Tanto a caminhar. Uma certa tristeza formando pequenas poças no papel de embrulhar. Respiro fundo, o cheiro de papelão inunda toda minha alma. Com cuidado, envolvo os…