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  • Voe

    Voe

    Os ombros descansam do peso de mundos. O ventre intui belezas. Algo novo em gestação. Algo novo fecundado de um ninho ancestral. Desperto.  Despeço-me da velha casca.   Sou asa.

  • O mundo dos lembrados

    O mundo dos lembrados

    Com o filme Festa no Céu, aprendi um pouco sobre a beleza do “Dia de Los Muertos” mexicano. A ideia singela de que, enquanto lembrarmos de nossos mortos, eles viverão num lugar lindo, cheio de alegria e esperança de reencontro. “A terra dos lembrados”. Hoje é dia dos mortos.  Mais do que nunca desejo que…

  • Mar profundo

    Mar profundo

    Daqui, não se ouve o burburinho da praia. Crianças correndo, ambulantes gritando suas ofertas. Daqui, não se ouvem os carros, buzinas, motoristas irritados. Daqui, não se ouvem as queixas sobre a política, os amores, a falta de dinheiro, a crise. As risadas do bar da esquina. O latido do cão do vizinho. O ruído do elevador.…

  • As coisas sem nome

    As coisas sem nome

      Qual o nome deste sentimento, tão doce e também amargo? Qual o nome desta saudade que liberta? Qual o nome da inédita expressão em meu rosto? Qual o nome deste novo estar com o outro? Qual o nome deste novo estar comigo? Qual o nome deste meu jeito de ser agora? Qual o nome do…

  • O fio da espada

    O fio da espada

    Examino e a lâmina ainda está bem afiada. Minha boa e velha espada. Invoco minha porção samurai. É tempo de escolher. Preciso buscar a disciplina. A contenção. A clareza. Giro os pulsos, minha espada faísca. Não perdi o jeito. Agora, mais precisa. Mais madura. Menos impulsiva. Numa coreografia intuitiva, escolho o bom do não tão…

  • Verter palavras

    Verter palavras

    Comprovo  o que já sabia. Caminhar no automático emudece. Por algum tempo andei anestesiada. No tic tac das tarefas cotidianas, no fluxo initerrupto de trabalho que eu mesmo crio, nos velhos hábitos. Houve o tempo das raivas. Dos medos. E uma longa sombra de tristeza. Até que  acordei  e foi  sol, amarelo e calor. Demasiado…

  • Tempo gengibre

    Tempo gengibre

    Na culinária japonesa, o gengibre é usado para a transição entre pratos. Propicia uma limpeza do paladar. É também estimulante, aquece,  espanta a tristeza. Agora são meus tempos gengibre. Transição entre páginas. Lenta e inexorável digestão de passados, presente e futuros. Há uma certa excitação no ar, efeitos colaterais de minha motilidade. Desfruto as delícias…

  • Dona da minha casa

    Não faz nem um mês, mudei-me para um novo lar. Tempo de recomeços. Uma casa sonhada há anos, um desabrochar do viver mais simples. Não é pequena, mas bem menor do que as moradas das últimas décadas. O espaço ficou maior aqui dentro. Aprecio as pequenas tarefas cotidianas, pela primeira vez cabem na palma de…

  • A criança em mim

    A criança em mim

    Hoje é dia das crianças e de todas as partes recebo mensagens sobre a criança que fomos. O pensamento voa e percebo que minha criança trazia a essência mais pura do que sou hoje. Fonte primeira da criatividade, liberdade de errar, alegria que tantas vezes me faltam agora que sou adulta. Olho para meu dentro, curiosa. E…

  • Após o inverno

    Após o inverno

    São tempos de redescoberta. Pequenos detalhes de mim. Esquecidos. Uma fase “vermelha” invade o blog. Descobrir-me maçã, romã. Fruto e flores. Acordar depois de um sono profundo entre rotinas e obrigações. Suavizar-me. Incendiar-me. Toda a paleta do feminino adormecido pela inércia dos anos. As unhas vermelhas tem pressa, ao teclar as palavras. É primavera. Entre os espinhos da…