Acordo angustiada.Há dias estou isolada em meu quarto, esperando um episódio de Covid, relativamente assintomático, passar.Nos últimos dias, uma avalanche de emoções, embaladas por influências lunares, solidão e a inatividade que pouco convém a esta capricorniana.Os humores, mutáveis como as marés, navegam do pessimismo mais obscuro á rósea esperança, passando por medo, tristeza, raiva e…
Começos têm sido difíceis para mim. Tantos finais me fizeram perder o jeito com inícios. Na esperança de reiniciar um ritmo, lanço-me numa nova missão… Fazer os experimentos propostos pelo “Jogo do Eu” criado por R.D. Silva para a Editora Matrix. O primeiro desafio: cantar uma música do começo ao fim, de cor. Imediatamente aflora…
Um velho amigo costuma enviar notícias sobre livros e artigos dos temas que me interessam. Uma curadoria luxuosa e sensível sobre luto, vida, poesia e amor. Hoje mandou a resenha do livro de Daniela Tarazona, “El Animal sobre la Piedra“. A descrição de @_mafentrelivros me assombrou. Parecia resenha de minha biografia, tamanhas coincidências: “Quando a…
Antes de 9h da manhã, já tantas tarefas feitas. A mulher-borboleta abre as asas, para os incansáveis cuidados: arrumar a casa, levar filhos na escola, supermercado, farmácia, o pix da máquina de lavar nova. Há muito na agenda nesta amanhã: cozinhar, organizar, uma conversa para dar rumo na fase nova profissional. Entre cursos, compras, providências,…
30-01-2021 Oi, irmão, Hoje faz um ano. Ainda estou tentando assimilar. O mais difícil de tudo é lidar com minha culpa. Agora que o filme da sua doença acabou, vem a tentação de exercitar roteiros diferentes, cenários diferentes. Repisar o que poderia ser diferente. Arrepender-me do que eu falei e o que eu não falei.…
“Quem beija meus filhos, minha boca adoça”. Ditado popular Denise e seus olhos verdes brilhantes. Denise e seu sorriso. Denise e tantas memórias nestes quase trinta anos em que nos conhecemos. Denise agora é estrela, adoçando o céu. São tantas as lembranças, inundam-me desde do início deste primeiro de abril de 2022, que amanheceu…
Dois anos de incertezas. Dois anos de reinvenção. Dois anos de perdas, a pior de todas sendo o imenso número de mortes de pessoas queridas. Mas não apenas: Aprendizagem comprometida. Convívio restrito. Autonomia cerceada pelo medo de contágio. Dentro de nossas casas: desorganização, cansaço, temores. A pandemia tem sido uma maratona onde ainda não alcançamos…
O fragmento do sonho era este: um ovo. Dentro do ovo, uma ostra. A primeira reação, um estranhamento. A ostra pegajosa, gelada. Ficar com esta espera. Até brotar a pérola, quantos grãos de areia? A escolha do que olhar e como olhar. Calar a voz de autocomiseração e arrependimento para honrar o aprendizado e a…
Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Eu, que passo desatenta pela maior parte das datas “oficiais”, hoje não. Nesta segunda-feira, a responsabilidade e a força de ser mulher estão inflamadas no meu corpo. Ao invés de pus, expurgo palavras. Gestar. Minha primeira revelação foi saber gestar palavras. Depois meus dois filhos. Depois peixes. A…
30 de janeiro. Depois de apenas um ano desde a descoberta de um câncer, meu irmão Caio se despede de nós. Apenas quinze dias antes, eu o via saborear meio alfajor trazido da minha viagem de lua de mel em Buenos Aires. Jamais esquecerei o prazer e alegria com que ele fez isto. Apenas quinze…